"Ele me ama, mas não ama minhas tripas; se lhe mostrassem meu apêndice […] deveríamos poder amar tudo de uma pessoa, o esôfago, o fígado, os intestinos. Talvez não gostemos dessas coisas por falta de hábito, se as víssemos como vemos nossa mãos e nossos braços, talvez as amassemos; é por isso que as estrelas do mar devem-se amar melhor que nós; elas se estendem sobre a praia quando faz sol e expelem o estômago para fazê-lo tomar ar e todos podem vê-lo; eu me pergunto por onde faríamos sair o nosso, pelo umbigo, talvez."
— Jean-Paul Sartre in “O Muro”, p.87